Justificando o nome.
Lá vou eu justificar o nome das coisas – como se dar nome fosse algo simples. Veja Adão, por exemplo. Deus deu-lhe uma simples tarefa no Gênesis e ele se empolgou tanto que inventou coisas como ornitorrinco e rinoceronte. Dar nome às coisas é algo sério, quase grave, afinal nome é destino. Em todo caso, este blog é insipirado num poema de Pessoa. Segue:
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo…
O pasmo, por sua vez, é uma referência direta à expressão de Husserl “voltar às coisas, elas mesmas”. Em ciência e filosofia este ethos epistemológico é obrigatório, essencial. Ele apela ao olhar revigorado sobre os fenômenos e ao diálogo aberto e honesto com as teorias. Pensar é redescobrir o espanto naquilo que é.


adoro pessoa sob o nome caeiro!
carlos henrique (1984)
19 Setembro, 2008 em 10:22 pm