Pasmo Essencial

o meu olhar é nítido como um girassol

Arquivos para os alunos

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Moçada, disponibilizo dois arquivos para apreciação de vocês.

Um é o Plano de Curso da disciplina de novas mídias, o outro é a tradução de um famoso artigo do Nicholas Carr que usei na disciplina de Teorias da Comunicação II.

Enjoy. :)

O google está nos tornando mais estúpidos?

Plano de Curso – Narrativa e novas tecnologias

Escrito por Daniel Christino

24 Abril, 2009 em 6:22 am

Zeitgeist

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“Espírito do tempo”. Comecei a disciplina Teoria da Narrativa e novas mídias – games, HQ e animação (caça-nerd, como eu gosto de chamá-la). Havia 59 alunos em sala. Muitos vieram por causa do nome da disciplina. Outros pelo professor (modesto? Quem? Eu? Imagina). E outros ainda porque precisam das horas para se graduar e a disciplina lhes pareceu divertida. Ao todo houve mais de 100 inscrições para uma disciplina de 40 vagas.

Porque tantos jovens interessados em games, HQ e animação?

Vou arriscar um palpite: os tempos mudaram.

Há algum tempo – quando eu fazia graduação, por exemplo – imperava o mote da Miséria da Filosofia do Marx; o lance era mudar o mundo e não apenas compreendê-lo. Mas agora a moçada parece a fim de entender o que anda acontecendo no mundo e as novas tecnologias estão na crista da onda. Isso não quer dizer, obviamente, que os alunos abandonaram a idéia de mudar o mundo. Mas o mundo dos alunos ficou menor e não inclui mais uma visão de conjunto da realidade social. Isso também quer dizer que houve uma aumento da percepção da complexidade dos fenômenos. A culpa não é do Marx, sempre um clássico. Foi a doutrinação ideológica que perdeu espaço, o discurso fácil que engajava os alunos nos projetos de poder de uma classe reduzida de iluminados pelo advendo do determinismo histórico. Isso mesmo, nem por Castoriadis alguns professores passaram.

Outro fator é a possibilidade de tematizar o próprio mundo nas reflexões em sala de aula. A geração que cresceu com o videogame e o computador como realidades próximas chegou à Universidade. Abaixo vai uma foto da minha última aula. Foi divertida.

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Escrito por Daniel Christino

24 Abril, 2009 em 5:57 am

Gadamer e o nazismo

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É uma praga! Basta começar a estudar algum filósofo alemão da primeira metade do século XX e lá vem a questão do nazismo mudar o foco para o campo político. Com Heidegger, no mestrado, a questão era escancarada. Vitor Faria e o Loparic (da Unicamp) escreviam contra e a favor do “rei oculto da filosofia” e suas relações com o nazismo. No caso do Gadamer a coisa é bem mais sutil e, ao que tudo indica, não houve colaboração explícita, embora alguns comentadores acreditem que ele se compremeteu mais do que deveria em nome da própria segurança.

Embora Gadamer não tenha delatado ninguém nem causado, direta ou indiretamente, a extradição ou envio de colegas para algum campo de concentração nazista (ao contrário de Heidegger, que viu seu antigo mentor Husserl ser perseguido e enxotado de Freiburg sem usar seu poder como reitor para impedir), o nome do filósofo aparece num abaixo assinado de vários intelectuais e professores universitário em favor do regime.

Esse tipo de acusação paira sobre boa parte dos fenomenólogos europeus. Além de Heidegger e Gadamer, Merleau-Ponty apoiou abertamente o socialismo soviético a ponto de defendê-lo durante a guerra da Coréia. Entretanto, percebeu o viés imperialista da antiga URSS e abandonou a causa, o que levou ao seu famoso rompimento com Sartre, outro fenomenólogo com miopia política aguda.

O problema aqui é o pressuposto de que a atividade filosófica deveria estar imbricada no modo como vivemos nossa vida. Só que não está. Talvez o último filósofo a ter vivido completamente sua filosofia tenha sido Francisco (é, ele mesmo, o santo) e, antes dele, Sócrates. Na verdade, depois da queda do império romano, o que podemos chamar “filosofias da vida” acabaram. Cínicos, céticos, estóicos, todas as correntes filosóficas que defendiam um certo modo de viver ou, se quiserem, o enraizamento de teorias metafísicas e ontológicas na normatização das ações cotidianas, deixaram de existir ou foram substituídas pela religião cristã.

Os filósofos hoje são muito mais acadêmicos (no sentido platônico e aristotélico) do que moralistas. Sua reflexão é um trabalho intelectual e não uma deontologia. Mas a questão ainda é incômoda. Será que o modo como Gadamer entende a noção de preconceito e tradição e a dificuldade que a filosofia hermenêutica tem com o discurso ideológico e a crítica (no dizer de Habermas) fazem dela uma filosofia politicamente perigosa? Não acredito. Também não acredito que a “marca” política inviabilize teorias muito bem fundamentadas em outras áreas, como a ontologia e a linguagem. Prefiro a postura da Hannah Arendt no livro Homens em tempos sombrios. Há nas obras filosóficas muito mais do que seus autores escreveram e suas filiações políticas são apenas um dos vetores interpretativos possíveis. Acima de tudo não há mais sistemas filosóficos totais – como em Kant, Hegel e na filosofia cristã – nos quais um eixo de simetria posiciona todos os temas possíveis. Ainda bem.

Escrito por Daniel Christino

21 Abril, 2009 em 7:02 pm

Publicado em Cultura, Filosofia

Bakthin e a arquitetura da criação

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O que faz um autor quando cria uma personagem? Podemos identificá-lo com as opções de seu herói? A figura do autor ainda é um princípio hermenêutico válido?

O autor não encontra de imediato para a personagem uma visão não aleatória, sua resposta não se torna imediatamente produtiva e de princípio, e do tratamento axiológico único desenvolve-se o todo da personagem: esta exibirá muitos trejeitos, máscaras aleatórias, gestos falsos e atos inesperados em função das respostas volitivo-emocionais e dos caprichos da alma do autor; através do caos de tais respostas, ela terá de inteirar-se amplamente da sua verdadeira diretriz axiológica, até que sua feição finalmente se constitua em um todo estável e necessário. Quantos véus necessitamos tirar da face do ser mais próximo – que nela foram postos pelas nossas reações casuais e por nossas posições fortuitas na vida -, que nos parecia familiar, para que possamos ver-lhe a feição verdadeira e integral. A luta do artista por uma imagem definida da personagem é, em grau considerável, uma luta dele consigo mesmo.

Não podemos estudar imediatamente esse processo como lei psicológica: só operamos com ele à medida que está sedimentado na obra de arte, isto é, com sua história centrada nas idéias, no sentido, e sua lei centrada nas idéias, no sentido. Sejam quais forem suas causas temporais e seu fluxo psicológico, sobre esse tema podemos apenas conjeturar, porque não diz respeito à estética.

O autor nos conta essa história centrada em idéias apenas na obra de arte, não na confissão de autor – se esta existe -, não em suas declarações acerca do processo de criação; tudo isso deve ser visto com extrema cautela pelas seguintes considerações: a resposta total, que cria o todo do objeto, realiza-se de forma ativa, mas não é vivida como algo determinado, sua determinidade reside justamente no produto que ela cria, isto é, no objeto enformado; o autor reflete a posição volitivo-emocional da personagem e não sua própria posição em face da personagem; esta posição ele realiza, é objetivada, mas não se torna objeto de exame e de vivenciamento reflexivo; o autor cria, mas vê sua criação apenas no objeto que ele enforma, isto é, vê dessa criação apenas o produto em formação e não o processo interno psicologicamente determinado. São igualmente assim todos os vivenciamentos criadores ativos: estes vivenciam o seu objeto e a si mesmos no objeto e não no processo de seu vivenciamento; vivencia-se o trabalho criador, mas o vivenciamento não escuta nem vê a si mesmo, escuta e vê tão somente o produto que está sendo criado ou o objeto a que ele visa. Por isso o artista nada tem a dizer sobre o processo de sua criação, todo situado no produto criado, restando a ele apenas indicar a sua obra; e de fato, só aí iremos procurá-lo. (Tem-se a nítida consciência dos momentos técnicos da criação, da mestria, só que mais uma vez no objeto). Já quando o artista começa a falar de sua criação além da obra citada e, para lhe acrescentar algo, constuma substituir sua atitude efetivamente criadora, não vivida por ele na alma mas realizada na obra (que não foi experimentada por ele mas experimentou a personagem), por sua atitude nova e mais receptiva em face da obra já criada. Quando estava criando, o autor vivenciou apenas a sua personagem e lhe introduziu na imagem toda a sua atitude essencialmente criadora em face dele; já quando em sua confissão de autor, como Gogol e Gontcharov, começa a falar de suas personagens, externa sua verdadeira posição em face delas, já criadas e definidas, enuncia a impressão que agora elas produzem sobre ele como imagens artísticas e a posição que ele sustenta em relação a elas enquanto pessoas vivas e definidas do ponto de vista social, moral, etc.; elas já se tornaram independentes dele, e ele mesmo, seu criador ativo, também se tornou independente de si mesmo – é a pessoa, o crítico, o psicólogo ou o moralista. Se levarmos em conta todos os fatores aleatórios que condicionam as declarações do autor-pessoa sobre as suas personagens – a crítica, sua verdadeira visão de mundo que pode sofrer fortes mudanças, seus desejos e pretensões (Gogol), as razões de ordem prática, etc. -, veremos com aboluta evidência o quanto é incerto o material que deve emanar destas declarações do autor sobre o processo de criação da personagem. Esse material tem um imenso valor biográfico e pode adquirir também valor estético, mas só depois de iluminado pelo sentido artístico da obra. O autor-criador nos ajuda a também compreender o autro-pessoa, e já depois suas declarações sobre sua obra ganharão significado elucidativo e complementar. As personagens criadas se desligam do processo que as criou e começam a levar uma vida autônoma no mundo, e de igual maneira o mesmo se dá com seu real criador-autor. É neste sentido que se deve ressaltar o caráter criativamente produtivo do autor e sua resposta total à personagem; o autor não é o agente da vivência espiritual, e sua reação não é um sentimento passivo nem uma percepção receptiva; ele é a única energia ativa e formadora, dada não na consciência psicologicamente agregativa mas em um produto cultural de significado estável, e sua reação ativa é dada na estrutura – que ela mesma condiciona – da visão ativa da personagem como um todo, na estrutura de sua imagem, no ritmo de seu aparecimento, na estrutura da entonação e na escolha dos elementos semânticos.

Há no texto acima uma penca de insights genais sobre o ato criador. Mas há também um elemento metodológico bastante pronunciado: num estudo literário a evidência para os juízos está na concretude da obra. O uso sutil que Bakthin faz da dialética – a vivência do processo criativo oculto ao autor-criador em oposição complementar à consciência técnica da criação da obra – relativiza a prioridade do autor sobre a interpretação da própria obra, corroborando ao mesmo tempo o discurso crítico; mesmo quanto este confronta diretamente as opiniões do autor. Seria interessante comparar a tese com o livro Gramáticas da criação do George Steiner. Não tenho como fazer isso agora, mas fica a sugestão.

Escrito por Daniel Christino

21 Fevereiro, 2009 em 7:11 pm

Darwin 200 anos

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Foi ontem, mas ainda vale a lembrança. Parabéns Vovô, você mudou a paisagem intelectual do mundo.

darwinbg

Escrito por Daniel Christino

13 Fevereiro, 2009 em 2:43 am

Publicado em Ciência, Cotidiano, Cultura

Uma imagem…mil palavras de ordem

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A imagem abaixo é genial. Consegue ser herética tanto à esquerda quanto à direita. E daria uma ótima camiseta.

Que ambos descancem em paz

Que ambos descancem em paz

Escrito por Daniel Christino

13 Fevereiro, 2009 em 2:39 am

Publicado em Economia, Humor, Política

Scott McCloud on comics | Video on TED.com

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Palestra genial de Scott McCloud para as TED Conferences.

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Escrito por Daniel Christino

7 Fevereiro, 2009 em 6:15 am

Publicado em 1

Você acredita em essências?

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Este post é uma tentativa de responder a pergunta do Karl do Ecce Medicus lá no condomínio de blogs do Lablogatórios.

Bem Karl, a resposta é SIM. Mas é necessário esclarecer em qual contexto semântico ela se insere.

Quando resolvi nomear o blog, lá em 2006, inspirei-me num poema de Alberto Caeiro no qual apareciam os seguintes versos.

E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial

O pasmo do Caeiro era parecido com o espanto aristotélico, mas com o sinal invertido. Em Aristóteles o espanto é o início do saber, uma condição da qual buscamos sair, um indício de que temos consciência da própria ignorância. Já em Fernando Pessoa o pasmo é a linha de chegada, é onde a consciência aporta depois de finalmente adquirir o saber. Em Aristóteles o sujeito se espanta consigo próprio; em Pessoa, com o mundo.

Há uma corrente filosófica que faz deste espanto – e deste pasmo – sua razão de ser. É a fenomenologia. Foi criada por Edmund Husserl, um filósofo alemão com formação em matemática. A primeira vez que o termo aparece em sua obra é nas Investigações Lógicas – no Brasil a sexta investigação está traduzida na coleção Pensadores; em Portugal há outras  partes traduzidas, mas nunca a obra inteira.

Embora o termo “fenomenologia” tenha uma vasta tradição no pensamento filosófico alemão – há a Fenomenologia do Espírito, de Hegel e o termo, de origem medieval, já era utilizado amiúde por Kant – Husserl queria dar-lhe outro significado. Seu tema principal era a epistemologia. Antes de escrever as Investigações, Husserl era adepto da fundamentação psicológica – à moda de Stuart Mill e Hume – das operações lógico-matemáticas. Em seu primeiro trabalho, A Filosofia de Aritmética, tentando responder à pergunta pela natureza das quantidades matemáticas, ele defende a tese de que as operações aritméticas são, na verdade, atos mentais do sujeito não tendo os números nenhuma possibilidade de se constituírem em conhecimento autônomo verdadeiro. A adição nada mais era do que um hábito de uma mente bem adestrada.

Husserl foi muito criticado – principalmente por Frege, cujo intelecto admirava – e pôs-se a revisar seus argumentos. Por volta de 1901 ele publica as Investigações , na qual argumenta pesadamente contra o “psicologismo”, um pecado que ele admite ter cometido em seu livro anterior.

Assim, o grande tema das Investigações é epistemológico. Se não podemos atribuir a verdade das proposições matemáticas às operações da mente, então porque aceitamos que uma expressão matemática seja verdadeira? A fim de responder Husserl revê a cena epistemológica primordial em Descartes.

Se sujeito e objeto são os dois pólos epistemológicos clássicos, como se dá, através da linguagem, a relação entre eles, de modo que o fundamento dos juízos de verdade não estejam apenas – como Descartes sugeria – no cogito (porque se estão, então o psicologismo está certo)? A resposta de Husserl é o conceito de intencionalidade. É um conceito difícil. Grosso modo, ele quer dizer que a relação entre sujeito e objeto não é de anterioridade e posterioridade (primeiro cogito e depois res extensa) mas simultânea. Nas palavras de Husserl: “toda consciência é consciência de… alguma coisa. E todo objeto é objeto para…uma consciência”. Intencionalidade é o ato cognitivo que funda esta relação.

Tal processo, por sua vez, dá-se no continente da linguagem. Assim, perguntar pela verdade de um enunciado matemático equivale a perguntar pelo sentido (Sinn) do enunciado para a consciência que o enuncia. Este sentido, claro, não é evidente e encontra-se coberto pela funcionalidade (pragmática) da língua e do próprio objeto. A fim de desenterrá-lo Husserl desenvolve um método: a redução fenomenológica.

Um exemplo. Pegue seu relógio de pulso. Olhe para ele (vamos supor que seja analógico). Veja os ponteiros e imagine todo o mecanismo que o anima. Agora faça-se a seguinte pergunta: “qual é o sentido deste objeto, qual é o sentido do relógio”? Na bucha você deve responder: “marcar as horas”. Faça o seguinte agora. Mentalmente – não estrague seu relógico – vá retirando do objeto tudo aquilo que você acredita não ser “essencial” para que ele seja um relógio. Retire a pulseira. Continua um relógio? Retire agora o vidro. Continua um relógio? Sejamos ousados, vamos retirar os números. E então, ainda estamos diante de um relógio? Agora retire o ponteiro dos segundos. Depois o dos minutos. Ainda é um relógio? Sim, só que menos preciso. Agora retire o ponteiro das horas. E então, ainda é um relógio ou apenas a lembrança de que ele foi um relógico permanece? A partir daí sabemos que o sentido do objeto – e, portanto, da palavra relógio – tem a ver com seus ponteiros.

O que fizemos até aqui foi um exercício mental cujo objetivo não foi outro senão colocar o objeto – e seu conceito – entre parêntesis, em suspensão. Desconectamos ele de todas as ligações com o resto dos conceitos aos quais está comumente atrelado (horas, pulso, preço, etc.). Segundo Husserl tal operação equivale a ver o relógio “como se fosse a primeira vez”, com olhos renovados. “É preciso ter o pasmo essencial”.

Pois bem, reduzimos o sentido do relógio ao mínimo para ainda reconhecê-lo como um relógio. Agora, precisamos reconectá-lo.

A essência do relógio tem a ver com o movimento dos ponteiros. O conceito-chave aqui é o de movimento. Mas esse movimento dos ponteiros está associado a outra coisa, a uma ordem matemática. O que medimos ao submetermos os movimentos dos ponteiros a uma ordem matemática? Bingo! O tempo. Exatamente. O sentido do objeto e do conceito de relógico é o tempo (na verdade, o tempo aristotélico-newtoniano, porque o einsteiniano deixa nossos relógios loucos, pois não pode ser medido pela analogia com o movimento).

Para o Husserl das Investigações este método nos fornece a possibilidade de encontrar o que ele chama de “relogidade” do relógio, ou seja, sua essência na linguagem. Quem melhor definiu a importância de Husserl para a filosofia foi um outro filósofo chamado Emmanuel Levinas. Parafraseando: “Husserl encontrou não apenas um método, mas um modelo intelectual, ou seja, uma resposta à pergunta sobre como conduzir o intelecto”. A fenomenologia não é, portanto, uma teoria descritiva da mente, mas um modo de inquirir sobre como este mundo faz sentido, como um todo, na nossa linguagem.

Enfim, respondendo à pergunta do Karl, eu acredito nas “essências” como conceitos lógicos-abstratos – semelhantes aos universais aristotélicos. São ferramentas intelectuais para compreendermos como os fenômenos que nos rodeiam acabam tendo ou não tendo um sentido para nós. Nada de metafísica, aqui. Embora o próprio Husserl, na sua velhice, caminhe em direção a uma formulação a priori da subjetividade, Heidegger mais tarde vai colocar a fenomenologia de novo nos trilhos. Mas esta é outra história.

Escrito por Daniel Christino

7 Fevereiro, 2009 em 3:31 am

Arte magnética

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Este vídeo mostra o trabalho do artista plástico Bruce Shapiro. Para conseguir o efeito ele usou bolas de metal e uma base imantada sob a areia.

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Escrito por Daniel Christino

3 Fevereiro, 2009 em 4:42 am

Publicado em 1

O nascimento de Israel

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Este vídeo é dica lá do Pedro Dória. É um documentário da BBC sobre a criação do Estado de Israel e a origem do conflito com os palestinos. Muito bom. Mas prepare-se, é meio longo.

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Escrito por Daniel Christino

30 Janeiro, 2009 em 2:44 am