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O mundo encantado

19/11/2008

Via Hermenauta cheguei neste post do Alexandre Soares Silva sobre a militância científica estraga prazeres. Achei o post legal e também não apoio as cruzadas da razão, mas o Alexandre apronta uma confusão danada entre estética e epistemologia que eu gostaria de esclarecer um pouco.

Epistemologia é o termo geralmente usado para reflexões sobre a possibilidade do conhecimento. A formulação clássica é de Kant: o que podemos saber? É aqui que as ciências desenvolvem suas teorias da verdade, isto é, critérios para a validação de juízos sobre os fenômenos.

Já estética é uma palavra de origem grega que significa, grosso modo, percepção, sensação. Ao contrário da epistemologia na estética o conceito chave não é o de verdade, mas o de beleza. E, seguindo Kant, o belo se apresenta não como um juízo universal, mas como a representação de um objeto na consciência do sujeito. Assim, o belo é uma função da subjetividade.

Dá para ver a diferença? Dos elfos, hobbits e outros bichos da Terra-média podemos esperar, no máximo, uma fruição estética pessoal. Mas dos objetos do mundo podemos derivar conhecimento que nos ajuda a explicar e interferir neste mesmo mundo.

Assim, quando um ateu pé-no-saco vier te dizer que o Balrog não existe, diga a ele que você sabe, mas que está interessado em viver num mundo mais divertido e bonito do que no “deserto do real”. Diga a ele que você pensará nisso quando estiver doente e precisar tomar uma benzetacil.

Por outro lado qualquer um que tenha passado as manhãs de sábado da década de 80 vendo “Cosmos” do Carl Sagan, só pode discordar da idéia de que o universo físico é interessante apenas por conta das mitocondrias. Mas não é mesmo. Na verdade a ciência pode ser objeto de uma apreciação estética, de modo que usamos juízos estéticos para classificar até mesmo teorias científicas (pense no conceito de elegância na matemática). Só que mesmo assim as categorias não se misturam em sua essência. Daí a disjunção: cientistas e poetas estão a falar de coisas diferentes.

Se você não ficar insistindo na existência ontológica de fantasmas, espíritos e elfos não terá problemas com os cientistas.

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One Comment
  1. por isso jogos são tão bons

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