Skip to content

“Eppur si muove!”

15/01/2009

Galileu por Justus Susterman

“No entanto, ela se move”, resmungou Galileu ao abidicar da tese heliocêntrica. Mas por qual motivo esta tese era tão danosa à teologia da época? A resposta tem menos a ver com a informação em si do que com o modo pelo qual ela se sustentava.

Galileu baseava suas proposições em experiências e observações, recorrendo à natureza como autoridade única para garantir a verdade destas proposições. Antes dele a autoridade máxima era, obviamente, Deus, mas não de modo direto e sim como axioma. As deduções escolásticas sobre questões naturais partiam do pressuposto de que a existência de Deus era um dado incontestável porque revelado. Assim, o sistema astronômico elíptico de Ptolomeu era uma elaboração teórica a partir da idéia de que a terra era o inamovível centro do universo.

Mas Galileu reclamava outra fundamentação para a verdade de suas proposições. Ele acreditava que algo dito sobre fenômenos naturais deveria possuir uma confirmação natural. Assim, Deus deixa de ser um princípio vinculante na teoria cosmológica e torna-se absconditus, oculto. Evidentemente aos olhos de uma Igreja já politicamente decadente, a relativização da posição epistemológica ocupada por Deus não poderia ser abertamente tolerada porque refletiria de modo negativo no poder prometéico das escrituras e de seus guardiões. Na verdade, muita gente boa acredita que não há nenhuma incoerência entre o sistema heliocêntrico e a teologia.

Contudo, o ganho primordial para a astronomia e para a ciência foi o estabelecimento de um critério de verdade ancorado na experimentação, ou seja, na verificação objetiva, material, das proposições enunciadas sobre fenômenos naturais. Aqui, em Galileu, a metafísica do conceito moderno de natureza começa a se delinear. Os dois outros artífices deste conceito serão Newton e Kant. Mas isso já é outra história.

Anúncios
2 Comentários
  1. Olá Daniel,
    gosto desse tipo de escrito. Esclare e o típico conhecimento importante. Sinto falta de uma coisa: relacinar, por exemplo, essas questões com algum objeto contemporâneo. Quem saber cotejar com algum acontecimento, dando exemplos. Ou estou pedindo muito?
    (Lisandro Nogueira).

  2. Daniel Christino permalink

    Não está não. Sugestão anotada.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: