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A política goiana pega fogo

26/05/2009

E eu acho é bom!!!

Em entrevista à CBN local o Dep. Federal Carlos Alberto Leréia (PSDB) referiu-se ao atual Governador do Estado, Alcides Rodrigues, como “traidor”, “desleal” e  “sujeito sem caráter”. E não foi só. Perguntado sobre declarações do Secretário da Fazenda do Estado, Jorcelino Braga, a respeito da nota de risco do Estado no BNDS (tão baixa que estaria causando problemas para a liberação de empréstimos), culpando diretamente o Governo de Marconi Perillo – de quem Alcides foi vice -; Leréia acusou Braga de agiotagem e de trabalhar para o PMDB. E não ficou por aí. Segundo o mesmo Leréia a empresa da qual Jorcelino é dono usou laranjas para firmar contrato com a a prefeitura de Aparecida de Goiânia, cujo prefeito é o ex-governador Maguito Vilela do PMDB. “O ministério público deveria dar uma olhada”, disse. Acusou também privilégio no repasse de recursos do Estado para a prefeitura de Santa Helena, administrada pela esposa do governador, Raquel Rodrigues. Insinuou ainda que a Celg, mesmo estando quebrada, injetou recursos nas campanhas para deputado estadual de diversos aliados do governo, inclusive do atual presidente da própria Celg, Carlos Silva.

Enfim, deu pernada a três por quatro. Estava exaltado e deixou transparecer aquele tipo de irritação da qual o sujeito geralmente se arrepende depois.

Eu só estranhei a reação das comentaristas. Resolveram especular sobre a inevitabilidade do rompimento entre Marconi e Alcides, como se já não estivesse sacramentado, há algum tempo, a estratégia de descolamento do ex-governador em relação a seu antigo aliado político com o objetivo de se posicionar para o pleito do ano que vem. Ao que parece a falência da Celg – e as reportagens do Popular – acabaram precipitando, ou por outras, desvelando o que já ocorria nos bastidores.

Pois é, falar sobre rompimento agora é meio irrelevante. Leréia abriu a caixa de pandora. E me parece obrigação do Jornal seguir a trilha apontada por ele. É uma oportunidade rara de colocar às claras o velho modo goiano de fazer política (arcaico, fisiológico, mergulhado no pior tipo de patrimonialismo). Certamente a operação abafa já está em andamento. Que o jornal, e seus proprietários, não se acovardem.

Isso é o mais curioso. Dependendo de como as coisas se desenrolarem a principal vítima de toda essa história pode ser exatamente a credibilidade do  jornalismo do Popular. É obrigação do jornal investigar o alcance das denúncias, em ambos os lados, sob pena de ter sido usado como instrumento de pressão de um grupo político sobre outro. Jornal nenhum pode se prestar a isso pelo motivo óbvio de que representa uma instituição da esfera pública democrática no Estado. Não se pode baixar a cabeça para este tipo de coisa. E não só o Popular. O Diário da Manhã e o Opção devem aos seus leitores uma cobertura a altura do fato, ou não poderão mais ser considerados veículos de informação sérios.

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2 Comentários
  1. Paulo Paiva permalink

    Ei, Daniel, o link d’O Popular está quebrado. Talvez seja melhor vc gerar um PDF e subir pro blog! Quando O Popular vai disponibilizar a integralidade dos seus textos na internet?

    Ótimo o texto (e o blog em geral). abs!

    • Daniel Christino permalink

      Eles mudaram a diagramação durante a noite. Agora há apenas um link discreto. Não tenho o print screen – não saia na blogosfera sem ele! – e, por isso, mudei o post.

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