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Armadilhas do comentário político

30/09/2009

É…Tio Rei finalmente pisou na bola e esposou a tese do governo mundial. É o modo como eu meço a sanidade dos intelectuais de imprensa – aquele pessoal com envergadura teórica suficiente para umas 30 linhas de texto. Acusou o complô mundial, é hora de checar se todos os parafusos estão no lugar.

A tese é um resquício da guerra fria. Supõe-se que a criação de fóruns internacionais poderia minar a soberania constitucional de um país ou região. Como se a ONU – império das ongs – tivesse força maior do que a soma de seus integrantes para impor decisões sobre países. Honduras entra na dança como exemplo sulamericano: Brasil, Venezuela, OEA estariam decidindo os rumos políticos do país, interferindo em sua soberania como manda o manual da internacional comunista.

Claro, tudo isso só faz sentido se imaginarmos que o golpe não foi golpe. Caso haja uma ditadura – como em Cuba – os organismos internacionais estão moralmente obrigados a se posicionar, mesmo que apenas discursivamente. E a crítica, lógico, é de que não fazem. Daí vem o corolário: eles querem nos dominar!

E foi golpe em Honduras? Aí a coisa fica nebulosa – principalmente para a direita anaeróbica. Digo isso porque a defesa da Constituição – qualquer uma – está baseada em valores aos quais esta constituição adere. Tais valores são o critério até mesmo para julgá-la. Quando se defende a Constituição por si mesma, independentemente dela abraçar ou não tais valores, apela-se ao cinismo mais deslavado, porque flexibiliza-se as convicções. A deposição de um presidente eleito passa a ser justificável, porque a constituição o permite, mesmo que os valores fundamentais que deveriam ser o objeto da própria constituição sejam negados ao se fazer valer a constituição. Uma constituição, como mostra o próprio Tio Rei, que exclui qualquer mecanismo de modificação. Ninguém que use o termo lógica conhecendo seu significado pode defender tal posição.

O que está em jogo é o nós contra eles. Basta ver quem se alinha com Zelaya para se entender porque é tão horrível pensar na volta do presidente deposto ao poder. O que irrita é a petulância de se passar por paladino da racionalidade. E o cara gostou tanto da brincadeira – ou, sei lá, seus leitores mais sibilantes o convencenram de que estava certo – que já pediu a cabeça do Celso Amorim recorrendo a uma falácia parecida. Onde está a falácia? No fato de que ele não é capaz de provar que a regra geral se aplica ao caso específico. Simples assim.

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3 Comentários
  1. aroncoiote permalink

    o que deu que você só fala de política agora?

    (não que o texto não esteja bom)

  2. Daniel,
    O R.A. não “finalmente” pisou na bola. Na verdade, ele nunca conseguiu dominá-la. Nunca acertou um chute sequer.
    O post que você comenta é apenas uma das sandices publicadas sobre Honduras. Dá até pra ficar constrangido.

  3. lisandro permalink

    Daniel,

    Vamos nos dedicar ao cinema.
    O herói do sertão-moderno, Lula, toma conta dessa história de Honduras; ele e o amigo do Ismail, Celso Amorin – aquele que acha que o Brasil já é a Dinamarca.

    Lisandro.

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