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Desabafo

05/04/2010

Leiam isso:

Pois o meu pai foi preso pelo seu regime, general. E você não ouse chamá-lo de criminoso, porque você não tem moral para isso. Ele tinha apenas 17 anos, e o seu crime foi escrever uma coluna sobre sindicatos no jornal. Foi preso por pessoas como você, sub-humanos que não merecem ser chamados de gente escondidos sob fardas militares, pessoas cujas mentiras só podem ser ouvidas hoje em dia porque a gente acaba tendo que compactuar com uma mídia ruim como essa; é o preço que pagamos pela democracia que vocês tentaram destruir e que, graças ao sacrifício desses que você hoje chama de criminosos, conseguimos recuperar.

O meu consolo, e o consolo de todos aqueles que vêm Leônidas Pires falar as besteiras que quer — talvez com a condescendência de que apenas velhos senis podem usufruir, mas que não é devida a nenhum integrante da ditadura militar –, é que no fim das contas nós ganhamos a guerra. Entendeu, general? Vocês perderam. Resta ao general de pijama Leônidas o peso de saber que foi a sua geração que destruiu o Exército Brasileiro, que o colocou em um patamar imoral e abaixo do papel histórico que ainda poderia cumprir. Foram vocês que transformaram soldados em torturadores e desgraçaram por muito tempo uma instituição nacional importante.

E por isso, senhor general, o senhor é apenas um derrotado com as mãos sujas. Morra com isso na sua consciência.

Esse desabafo é do Rafael Galvão. Ele comenta a entrevista do General Leônidas Pires Gonçalves ao jornalista Geneton Moraes Neto no programa Dossiê Globo News comemorativo aos 25 anos do golpe militar. Um pedaço da entrevista pode ser visto no próprio site do programa.

O que o Rafael diz é definitivo. A geração do General Leônidas destruiu a credibilidade do exército ao patrocinar um golpe de Estado e instalar uma ditadura militar no País. No vídeo o general diz se orgulhar do “faro” dos militares e justifica suas ações com o argumento de que elas impediram uma provável ditadura comunista no Brasil. O General não sabe, obviamente, a diferença entre lógica e uma ficção qualquer criada para apaziguar a consciência. É simplesmente impossível fundamentar o que é naquilo que poderia ter sido. Essa história vale apenas como apresentação de motivos (assim como o comunista russo pode argumentar que estava tentando criar um mundo melhor). Ela não torna mais razoável o que os militares fizeram, sua truculência, estupidez e incompetência. Ao final. entregaram um país pior do que aquele que encontraram. Isso é fato. Neste particular a esquerda, agora no poder, está dando um banho de competência e dentro de um regime democrático no qual até pessoas como o General podem falar o que quizerem, expondo-se ao ridículo sem qualquer censura. E disso eles, os militares daquela geração, foram incapazes. Triste.

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One Comment
  1. Carai, arrepiô!

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